não atirem as pedras, atirem os cravos...

armed forces take power

não atirem as pedras, atirem os cravos...

april 25 - carnations revoltuion
Não soubemos lidar com a liberdade. Saímos à rua, em ‘74, de punho erguido e garganta rouca, sem saber muito bem o significado daquela palavra que ouvíamos a cada esquina: “liberdade”! “Em 1974 Portugal tinha fome, não vivia: sobrevivia!”; “antes da revolução passávamos necessidades, não havia pão, não havia opinião, só havia polícia e censura!”. É o que oiço muitas vezes em conversas mais acesas sobre a realidade dos últimos 38 anos, … sim “38 anos”! Há 38 anos alguém se lembrou de encher o cano de uma G3 com um cravo e nasceu um símbolo da revolução. Depois foi todo o povo receber de braços abertos os “desterrados”, os fugitivos políticos que viram ali a oportunidade de regressar em apoteose, e tomar nas suas mãos as rédeas do país… um país renovado, livre, eram pessoas cheias de ideias e ideais sociais e políticos, que traziam a democracia e a liberdade da Europa… com vontade de fazer de Portugal um país do carago! Carago! Hoje atiram-se pedras, às portas da Assembleia da República, aos agentes da autoridade que exercem a sua liberdade à bastonada, depois de se cansarem de uma chuva de pedras. Não foi uma chuva de palavras que levou à acção, ao ataque, foi uma chuva de pedras, daquelas pesadas, habituais nas nossas calçadas. Andará já por aquelas calçadas algum solícito funcionário camarário a alcatroar toda a calçada… porque o alcatrão é mais difícil de arremessar à polícia, e no próximo protesto só irão chover palavras… palavras que mesmo duras não fazem mossa, não são como a água mole que fura a pedra, eventualmente. Mas as palavras são lançadas por pessoas, cada vez mais com fome, cada vez mais sem paciência, cada vez mais sem soluções, pessoas que podem muito bem recorrer a outras calçadas e levar mais do que as palavras consigo, num próximo protesto. Em 1974, a dívida pública portuguesa era de 10 000 milhões de Euros (valor actualizado aos dias de hoje para melhor comparação), isto correspondia a 14% do PIB (Produto Interno Bruto). Hoje, 38 anos depois, a dívida pública é de 203 700 mil milhões de Euros, equivalente a 120% do PIB! (fonte: Jornal Digital) 38 anos! Em 38 anos Portugal soube fazer uma coisa muito bem: gastar dinheiro! Porque, ao fim e ao cabo, tudo se resume a “apenas” isto: “dinheiro”. O estado precisa de dinheiro, a população tem dinheiro, o estado vai buscar dinheiro à população… mas a população precisa de dinheiro, porque vive, não “sobrevive”! Porque ao contrário de ’74 para trás, o dinheiro não é um luxo, é uma necessidade, é o pão na mesa e o tecto sobre a cabeça, é o transporte para o trabalho e o lazer com a família. É o sustento da indústria, do estado! E porque o estado se habituou a gastar de torneira aberta (os bolsos da população) voltamos a ’74! O que o estado esquece (oh ironia das ironias) é que, quando tira dinheiro à população esta não gasta dinheiro, não há comércio livre a funcionar, não há transito de mercadorias, trocas de bens… não há receita em todos os impostos (IVA, IRC, IRS, Imposto de Selo, “por conta”, “especial por conta”, etc…), nem as portagens nas estradas construídas pelo estado são pagas ao estado! E… voltamos ao mesmo… o estado a precisar de dinheiro e o povo também. E corta-se na saúde, nas reformas, na educação, no desenvolvimento… e não tarda nada corta-se os pulsos também!
AS forças armadas tomaram o poder
  Parem de delapidar esse monumento artístico português, que é a calçada portuguesa. Não atirem as pedras, atirem os cravos! Devolvam-nos… vamos ali ao jardim, no fim da calçada, escolher outra flor e já voltamos… Imagens em: O amor é um lugar estranho TaxiCidade  
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