#mylittleportugal – Portugal

#mylittleportugal, meu Portugal pequenino… pequenino da pior maneira possível… pequenino na sua pequenez mesquinha e patética.

No meu Portugal não se vive…sobrevive-se. Porque viver era sair à rua com um sorriso nos lábios em vez de uma preocupação no rosto. Viver era andar de comboio a fugir ao pica, em vez de andar a pé porque nem a fugir ao pica a gente se safa. Viver era colocar comida na mesa sem ter que contar as lecas no bolso para escolher entre arroz e massa porque não se pode comprar os dois este mês…

O meu Portugal não produz…produz-se. E quem o governa não governa, governa-se.

O meu Portugal queixa-se da falta de médicos e enfermeiros. E em vez de financiar cursos e universidades, para formar mais médicos, decide pagar a médicos estrangeiros, a peso de ouro, para que venham medicar Portugal.

O meu Portugal queixa-se da falta de emprego e de investimento e continua a carregar as empresas com impostos e impostos sobre impostos e até impostos sobre possíveis impostos que possam a ser impostos.

O meu Portugal ajuda bancos falidos a levantar a cabeça (e a salvar a carteira), mas deixa famílias inteiras na rua por estas terem que optar entre sobreviver e pagar a renda… e escolherem sobreviver, os parvos!

O meu Portugal não quer pobrezinhos mas continua com uma política de salários mínimos que raiam o limiar da pobreza.

O meu Portugal não quer velhinhos..e por isso lhes corta as reformas e o sustento…para ver se vão “c’o caralho”… a não ser que tenham “servido o estado”…ou se tenham servido dele (o que é a mesma coisa).

O meu Portugal é governado por piratas que saqueiam os portugueses… mas chamam piratas a todos os portugueses…porque no fundo, no fundo, todo o português quer é fugir aos impostos, e não pagar taxas ,e fugir ao pica, e não pagar portagens, e não pagar estacionamento, e não pagar propinas, e não pagar taxas moderadoras (vamos respirar agora.), e não pagar o raio-que-o-parta… O que até é muito verdade, mas escusavam de nos atirar isso à cara porque português que é português não gosta que lhe atirem coisas à cara e vai logo ao Facebook criar um grupo ou uma página para debater e manifestar sobre o tema.

Não quer pagar porque já o pagou uma e outra e mais outra vez sempre que chega ao fim do mês e arrasta uma côdea de pão que amassa e estica para durar outro mês.

O meu Portugal tem muitos…muitos…muitos mesmo… portugueses. Portugueses modernos, airosos, confiantes… daqueles que têm smartphones no bolso e criam perfis no Facebook e no Google+ e sabem palavras finas e estrangeiras como “selfie” e “like” e “chat”. Portugueses muito ocupados na sua ocupação… e que de tão modernos que são, fazem manifestações no Facebook… e no Twitter… e nas caixas de comentários de toda e qualquer publicações online que seja algum tipo de serviço público noticioso, informativo, ou… o que for!

O que for… desde que não seja preciso levantar o cú do sofá e vir para a rua fazer barulho. Porque está muito sol…ou muita chuva. Porque já lá está muita gente e não precisam de mais ninguém. Porque essa coisa de manifestações é para comunistas e reaccionários e as pessoas portuguesas de Portugal protestam é nas redes sociais. Porque é para isso que existem as novas tecnologias. Porque assim não levam cacetada da PSP nem apanham um escaldão no Terreiro do Paço. Porque as escadarias da Assembleia da República são feias e ainda por cima em agosto está toda a gente de férias menos o porteiro. Porteiro que aproveita para ir às escondidas até ao bar dos excelentíssimos senhores deputados e passar os lábios pelo single malte de 25 anos que está escondido atrás de duas caixas de charutos cubanos.

Deputados…

De… puta… dos…

Nem a propósito…

fotografia via tvi.iol.pt – instalação artística de Élsio Menau.